
Entendi que precisava criar um estilo. Disse para mim mesmo: ‘Vou ser aquele que faz vários’. E levei isso a sério, embora se tratasse de humor.
Início da carreira
Francisco Anysio de Oliveira Paula Filho nasceu em Maranguape, Ceará, em 12 de abril de 1931, e mudou-se com a mãe e três irmãos – entre eles a atriz Lupe Gigliotti e o cineasta Zelito Viana – para o Rio de Janeiro, aos 7 anos. Os quatro foram morar numa pensão no Catete, na Zona Sul; o pai ficou na cidade natal, tentando refazer a vida como construtor de estradas, depois de perder toda a frota de sua empresa de ônibus num incêndio. Chico estudou para ser advogado, mas a vocação de comediante e a necessidade de trabalhar mudaram o rumo de sua vida. Ainda bem jovem, venceu vários concursos de programas de calouros, como o 'Papel Carbono', de Renato Murce, na Rádio Nacional, fazendo imitações.
“Imitava 32 personalidades da época. Como ganhava sempre, fiquei marcado e não aceitavam mais que eu me inscrevesse. Então, fui para São Paulo, onde também ganhei todos. Sair sempre vencedor acabou me fechando as portas dos programas. Foi quando pensei: pronto, vou ser advogado mesmo, é o jeito. Pois não tinha mais onde ganhar dinheiro”.
Quando tinha 17 anos, fez teste para para a Rádio Guanabara, e foi contratado como locutor e radioator. “Fiquei em segundo no teste para locutor. Perdi o primeiro lugar para o Silvio Santos. No teste de radioator, tirei o sétimo. A primeira colocada foi a Fernanda Montenegro”. Pouco depois, virou também redator de programas de humor e comentarista esportivo. De galã de radionovela, passou para a linha de shows, ao lado de humoristas como Grande Otelo e Nádia Maria. Em 1949, foi convidado para trabalhar na Rádio Mayrink Veiga, onde chegou a escrever 13 programas por semana.
Escolinha do Professor Raimundo
Aos 19 anos, contratado pela Rádio Clube de Pernambuco, mudou-se para Recife; um ano e meio depois, já estava de volta ao Rio. Trabalhou por um tempo na Rádio Clube do Brasil, até que, em 1952, retornou à Mayrink Veiga, como autor e diretor de vários programas, como 'A Rainha Canta', com Ângela Maria, 'Rio de Janeiro a Janeiro', 'Buraco de Fechadura' e 'Vai Levando'. Ao mesmo tempo, atuava nos programas de Haroldo Barbosa, de Antônio Maria e de Sérgio Porto, entre outros.
No mesmo ano, ele e Haroldo Costa criaram a 'Escolinha do Professor Raimundo'. No início, eram apenas três alunos, interpretados por Afrânio Rodrigues (o que sabia tudo), João Fernandes (o que não sabia nada) e Zé Trindade (o que embromava). O programa logo se tornou o maior sucesso da rádio: “Haroldo Costa foi um grande mestre que tive. A "Escolinha" foi, de fato, a minha revelação. Graças a ela, comecei a ter visibilidade. Foi a primeira vez que minha foto saiu numa revista”.
Primórdios da televisão brasileira
Em 1957, Walter Clark o contratou como diretor da linha de shows da TV Rio. Chico levou para a emissora programas que fizeram sucesso na Mayrink Veiga, como 'Noites Cariocas', 'O Riso é o Limite' e 'Praça da Alegria'. “Naqueles primórdios da televisão brasileira, a Tupi era dona quase total da audiência. Seria algo em torno de 86 pontos, contra apenas sete da TV Rio. Um mês depois de estrearmos a nova linha de shows, a situação se inverteu”. Ainda eram os tempos da TV ao vivo; um dia, porém, o diretor Carlos Manga, para quem ele já havia escrito 18 chanchadas da Atlântida – como 'A Baronesa Transviada' (1957), 'Alegria de Viver' (1958), 'O Camelô da Rua Larga' (1958) e 'Entrei de Gaiato' (1959) –, surgiu com uma ideia. “Manga me disse: ‘Apareceu uma máquina aí que tem o dom da multiplicação. Com a ajuda dela, vamos fazer um programa juntando todos os seus personagens’. Essa máquina era o videoteipe”.
Nascia, assim, o 'Chico Anysio Show', escrito por Chico Anysio, Haroldo Barbosa e Roberto Silveira, com direção de Carlos Manga, base de todos os outros programas que o comediante estrelaria na TV nos anos seguintes. “Foram 23 horas de gravação e eu fiz oito personagens. No fundo, tudo o que eu fiz, na televisão, foi o 'Chico Anysio Show', que se transformou em 'Chico City', 'Chico Especial', 'Chico em Quadrinhos', 'Chico Total'”. Passou ainda pelas TVs Excelsior (para onde levou o seu 'Chico Anysio Show' e fez o programa 'A Volta ao Mundo em 80 Shows'), Tupi (também com seu programa, além de ter sido diretor da emissora) e Record (como uma das estrelas dos programas 'Essa Noite se Improvisa', no qual se apresentava ao lado de nomes como Caetano Veloso, Chico Buarque e Carlos Imperial, e Vamos Simbora, com Wilson Simonal).
Depois que saiu da Record, Chico ficou afastado um tempo da televisão, período em que se dedicou ao teatro. “Tive a felicidade de inaugurar o Teatro Lagoa, em 1969, onde consegui o recorde de nove sessões por semana, sendo duas no domingo. E isso durou nada menos do que um ano e três meses, na base da superlotação, 12 cadeiras extras por sessão”. Também em 1969, lançou o seu primeiro disco, 'Chico Anysio Inaugura o Bom Humor Dançante'.
Em 4 de dezembro de 2011, Patrícia Poeta entrevistou Chico Anysio para o quadro 'Anjo da Guarda' do 'Fantástico'. O humorista contou detalhes sobre sua vida e sua infância, numa conversa emocionada. Anos depois, Patrícia, ao Memória Globo, lembrou os bastidores da entrevista.
A entrada na Globo e 'Chico City'
Chico Anysio foi contratado pela Globo ainda em 1969. Estreou, em 1970, com o programa mensal 'Chico Anysio Especial', com direção de Daniel Filho. No ano seguinte, entrou no ar 'Linguinha x Mr. Yes', seriado infantojuvenil exibido entre o 'Jornal Nacional' e a novela das oito. Em 1972, estreou 'Chico em Quadrinhos' e, no ano seguinte, lançou 'Chico City', o seu programa mais famoso.
Com quadros e esquetes ambientados numa pequena cidade do interior – depois transformada em metrópole –, 'Chico City' era exibido nas noites de sexta-feira e durou até 1980. No programa, o humorista popularizou tipos como o ator canastrão Alberto Roberto, o pão-duro Gastão Franco, o mitômano coronel Pantaleão, o pai de santo Véio Zuza, o velho ranzinza Popó, o alcoólatra Tavares, o locutor Roberval Taylor, o político populista Walfrido Canavieira e o conquistador barato Bozó.
Os bordões criados por ele, como “É mentira, Terta?”, “Pão duro, não, eu sou controlado!”, “E o salário, ó” e “Sou, mas… Quem não é?”, ganharam as ruas. “Os personagens brotam, de repente. Às vezes nascem da voz, de uma personalidade, da roupa, de um grupo. De modo geral, não faço um personagem, mas um núcleo. O Tavares tinha o pai [Alfredo Muffin], a mãezona [Aidée Palhares] e a Biscoito [Zezé Macedo]”.
Chico Anysio nasceu no Ceará, em 1931. Entrou na Globo em 1969. Mestre do humor, criou mais de 200 personagens ao longo da carreira, entre eles professor Raimundo, Alberto Roberto, Salomé e Roberval Taylor. Morreu em 2012, aos 80 anos.
Para Chico Anysio, engraçados, mesmo, eram Ronald Golias, Costinha e Oscarito. Por isso, quando decidiu seguir a carreira de comediante, resolveu criar seu próprio estilo: “Vou ser aquele que faz vários”. O primeiro dos vários foi o Professor Raimundo, que nasceu na Rádio Mayrink Veiga, em 1952; cinco anos depois, o personagem chegou à televisão, como escada de Ema D’Ávila em 'Aí Vem Dona Isaura', na TV Rio. Mas o maior humorista do Brasil não permaneceria coadjuvante por muito tempo: em 1959, lançou, na mesma emissora, o seu próprio programa, o 'Só Tantã', logo rebatizado 'Chico Anysio Show'. “Foi um sucesso retumbante! Mexeu com a vida do país. Os aviões e até as sessões de cinema mudaram de horário. Foi a primeira vez que se viu coisa semelhante no mundo, um só artista fazer um programa inteiro na televisão”. No 'Chico Anysio Show', juntaram-se ao Professor Raimundo o Quem-Quem, o Dr. Alfacinha, o Urubolino e o Coronel Limoeiro, entre outros.
O artista, que morreu no dia 23 de março de 2012, aos 80 anos, criou nada menos do que 209 personagens ao longo de sua carreira. E a sua capacidade de fazer vários não ficou por aí: ele também foi redator e diretor de rádio e de TV; comentarista esportivo, locutor e radioator; ator e roteirista de cinema; cantor e compositor; pintor e escritor. Chico Anysio foi casado com as atrizes Nancy Wanderley, Rose Rondelli e Alcione Mazzeo, a cantora Regina Chaves e a ex-Ministra da Economia do governo Collor Zélia Cardoso de Mello. Sua última mulher foi a fisioterapeuta Malga di Paula. Teve oito filhos, entre eles os atores Lug de Paula (famoso pelo personagem Seu Boneco, da Escolinha do Professor Raimundo), André Lucas (com quem se apresentou no teatro com a peça 'De Pai para Filho', em 2009), Nizo Neto (o seu Pitolomeu, também da Escolinha) e Bruno Mazzeo.
Entendi que precisava criar um estilo. Disse para mim mesmo: ‘Vou ser aquele que faz vários’. E levei isso a sério, embora se tratasse de humor.
Início da carreira
Francisco Anysio de Oliveira Paula Filho nasceu em Maranguape, Ceará, em 12 de abril de 1931, e mudou-se com a mãe e três irmãos – entre eles a atriz Lupe Gigliotti e o cineasta Zelito Viana – para o Rio de Janeiro, aos 7 anos. Os quatro foram morar numa pensão no Catete, na Zona Sul; o pai ficou na cidade natal, tentando refazer a vida como construtor de estradas, depois de perder toda a frota de sua empresa de ônibus num incêndio. Chico estudou para ser advogado, mas a vocação de comediante e a necessidade de trabalhar mudaram o rumo de sua vida. Ainda bem jovem, venceu vários concursos de programas de calouros, como o 'Papel Carbono', de Renato Murce, na Rádio Nacional, fazendo imitações.
“Imitava 32 personalidades da época. Como ganhava sempre, fiquei marcado e não aceitavam mais que eu me inscrevesse. Então, fui para São Paulo, onde também ganhei todos. Sair sempre vencedor acabou me fechando as portas dos programas. Foi quando pensei: pronto, vou ser advogado mesmo, é o jeito. Pois não tinha mais onde ganhar dinheiro”.
Quando tinha 17 anos, fez teste para para a Rádio Guanabara, e foi contratado como locutor e radioator. “Fiquei em segundo no teste para locutor. Perdi o primeiro lugar para o Silvio Santos. No teste de radioator, tirei o sétimo. A primeira colocada foi a Fernanda Montenegro”. Pouco depois, virou também redator de programas de humor e comentarista esportivo. De galã de radionovela, passou para a linha de shows, ao lado de humoristas como Grande Otelo e Nádia Maria. Em 1949, foi convidado para trabalhar na Rádio Mayrink Veiga, onde chegou a escrever 13 programas por semana.
Escolinha do Professor Raimundo
Aos 19 anos, contratado pela Rádio Clube de Pernambuco, mudou-se para Recife; um ano e meio depois, já estava de volta ao Rio. Trabalhou por um tempo na Rádio Clube do Brasil, até que, em 1952, retornou à Mayrink Veiga, como autor e diretor de vários programas, como 'A Rainha Canta', com Ângela Maria, 'Rio de Janeiro a Janeiro', 'Buraco de Fechadura' e 'Vai Levando'. Ao mesmo tempo, atuava nos programas de Haroldo Barbosa, de Antônio Maria e de Sérgio Porto, entre outros.
No mesmo ano, ele e Haroldo Costa criaram a 'Escolinha do Professor Raimundo'. No início, eram apenas três alunos, interpretados por Afrânio Rodrigues (o que sabia tudo), João Fernandes (o que não sabia nada) e Zé Trindade (o que embromava). O programa logo se tornou o maior sucesso da rádio: “Haroldo Costa foi um grande mestre que tive. A "Escolinha" foi, de fato, a minha revelação. Graças a ela, comecei a ter visibilidade. Foi a primeira vez que minha foto saiu numa revista”.
Primórdios da televisão brasileira
Em 1957, Walter Clark o contratou como diretor da linha de shows da TV Rio. Chico levou para a emissora programas que fizeram sucesso na Mayrink Veiga, como 'Noites Cariocas', 'O Riso é o Limite' e 'Praça da Alegria'. “Naqueles primórdios da televisão brasileira, a Tupi era dona quase total da audiência. Seria algo em torno de 86 pontos, contra apenas sete da TV Rio. Um mês depois de estrearmos a nova linha de shows, a situação se inverteu”. Ainda eram os tempos da TV ao vivo; um dia, porém, o diretor Carlos Manga, para quem ele já havia escrito 18 chanchadas da Atlântida – como 'A Baronesa Transviada' (1957), 'Alegria de Viver' (1958), 'O Camelô da Rua Larga' (1958) e 'Entrei de Gaiato' (1959) –, surgiu com uma ideia. “Manga me disse: ‘Apareceu uma máquina aí que tem o dom da multiplicação. Com a ajuda dela, vamos fazer um programa juntando todos os seus personagens’. Essa máquina era o videoteipe”.
Nascia, assim, o 'Chico Anysio Show', escrito por Chico Anysio, Haroldo Barbosa e Roberto Silveira, com direção de Carlos Manga, base de todos os outros programas que o comediante estrelaria na TV nos anos seguintes. “Foram 23 horas de gravação e eu fiz oito personagens. No fundo, tudo o que eu fiz, na televisão, foi o 'Chico Anysio Show', que se transformou em 'Chico City', 'Chico Especial', 'Chico em Quadrinhos', 'Chico Total'”. Passou ainda pelas TVs Excelsior (para onde levou o seu 'Chico Anysio Show' e fez o programa 'A Volta ao Mundo em 80 Shows'), Tupi (também com seu programa, além de ter sido diretor da emissora) e Record (como uma das estrelas dos programas 'Essa Noite se Improvisa', no qual se apresentava ao lado de nomes como Caetano Veloso, Chico Buarque e Carlos Imperial, e Vamos Simbora, com Wilson Simonal).
Depois que saiu da Record, Chico ficou afastado um tempo da televisão, período em que se dedicou ao teatro. “Tive a felicidade de inaugurar o Teatro Lagoa, em 1969, onde consegui o recorde de nove sessões por semana, sendo duas no domingo. E isso durou nada menos do que um ano e três meses, na base da superlotação, 12 cadeiras extras por sessão”. Também em 1969, lançou o seu primeiro disco, 'Chico Anysio Inaugura o Bom Humor Dançante'.
A entrada na Globo e 'Chico City'
Chico Anysio foi contratado pela Globo ainda em 1969. Estreou, em 1970, com o programa mensal 'Chico Anysio Especial', com direção de Daniel Filho. No ano seguinte, entrou no ar 'Linguinha x Mr. Yes', seriado infantojuvenil exibido entre o 'Jornal Nacional' e a novela das oito. Em 1972, estreou 'Chico em Quadrinhos' e, no ano seguinte, lançou 'Chico City', o seu programa mais famoso.
Chico Anysio como Painho em 'Chico City' — Foto: Acervo Globo
Com quadros e esquetes ambientados numa pequena cidade do interior – depois transformada em metrópole –, 'Chico City' era exibido nas noites de sexta-feira e durou até 1980. No programa, o humorista popularizou tipos como o ator canastrão Alberto Roberto, o pão-duro Gastão Franco, o mitômano coronel Pantaleão, o pai de santo Véio Zuza, o velho ranzinza Popó, o alcoólatra Tavares, o locutor Roberval Taylor, o político populista Walfrido Canavieira e o conquistador barato Bozó.
Os bordões criados por ele, como “É mentira, Terta?”, “Pão duro, não, eu sou controlado!”, “E o salário, ó” e “Sou, mas… Quem não é?”, ganharam as ruas. “Os personagens brotam, de repente. Às vezes nascem da voz, de uma personalidade, da roupa, de um grupo. De modo geral, não faço um personagem, mas um núcleo. O Tavares tinha o pai [Alfredo Muffin], a mãezona [Aidée Palhares] e a Biscoito [Zezé Macedo]”.
'Chico City' tinha direção musical de Arnaud Rodrigues, que também foi seu parceiro no quadro 'Baiano e os Novos Caetanos', como Paulinho Boca de Profeta. A dupla chegou a gravar um disco em 1974. O programa contava com a participação de outros comediantes, como Mário Tupinambá, Carlos Leite, Walter D’Ávila e Luís Delfino.
Programas de sucesso
Depois de passar pelo 'Fantástico', o malandro carioca Azambuja ganhou o seu próprio programa, 'Azambuja & Cia'. (1975), exibido nas noites de segunda-feira. Faziam parte da trupe, entre outros, Tião Macalé, Dorinha Duval e Arnaud Rodrigues, com quem Chico gravou outro disco, com a trilha sonora da atração. 'Chico Total', que passava nas noites de terça-feira, substituiu 'Chico City' em 1981. No mesmo ano, estreou 'Chico Anysio Show', que ficou no ar até 1990, e era exibido semanalmente, às quintas-feiras.
O programa trazia personagens novos, como o galã com voz dublada Bruce Kane, e continuou contando com antigos, como o boneco de ventríloquo Chiquitin, o jornalista Setembrino, o garçom fanho Quem-Quem, o pai de santo Painho, o político corrupto Justo Veríssimo, o jogador de futebol Coalhada, o vampiro Bento Carneiro, a apresentadora de TV Neide Taubaté, e o pastor charlatão Tim Tones. No fim do programa, a gaúcha Salomé ligava para o presidente João Figueiredo, seu conterrâneo, para questioná-lo. “E o engraçado é que ele levou a Salomé a sério. E a respondia, nos discursos que pronunciava”. Salomé voltou à cena no 'Zorra Total', chamando às falas o então presidente Fernando Henrique Cardoso. Também em 1981, o humorista se apresentou no prestigioso Carnegie Hall, em Nova York.
Ainda com 'Escolinha do Professor Raimundo' no ar, o comediante estreou, em 1991, 'Estados Anysios de Chico City', seguindo a linha de seus programas anteriores, com um elenco fixo de mais de 70 atores, e que ia ao ar nas noites de quarta-feira. 'Chico Total' foi exibido aos sábados, durante o ano de 1996, misturando quadros com seus personagens e esquetes de seus shows ao vivo; já 'O Belo e as Feras' (1999), era baseado na estrutura das sitcoms americanas, e contou com as participações de atrizes como Regina Duarte, Luana Piovani, Claudia Ohana e Fernanda Montenegro. O humorístico ia ao ar inicialmente às quartas-feiras, depois, aos sábados.
Além dos programas próprios, Chico Anysio teve um quadro regular no 'Fantástico' por 17 anos, de 1974 a 1991. Foi supervisor de criação do programa 'Os Trapalhões', no início dos anos 1990, e atuou em novelas como 'Feijão Maravilha' (1979), de Bráulio Pedroso, no papel de Salomé; 'Terra Nostra' (1999), de Benedito Ruy Barbosa, onde interpretou o Barão Josué Medeiros; 'Sinhá Moça' (2006), do mesmo autor, como Everaldo; e 'Pé na Jaca' (2006), de Carlos Lombardi, vivendo Cigano. Em 2009, fez uma participação especial em 'Caminho das Índias', de Gloria Perez, no papel de Namit, um cineasta trambiqueiro.
Também fez parte do elenco do infantojuvenil 'Sítio do Picapau Amarelo' em 2005, como o Dr. Saraiva, além de ter participado de programas como 'Brava Gente' (2007) e 'A Diarista' (2004) e de ter comentado a Copa do Mundo da Itália, em 1990. Em 2009, voltou a fazer parte do 'Zorra Total', como Alberto Roberto, Justo Veríssimo e Bento Carneiro. Em 2010 e 2011, estrelou o especial 'Chico & Amigos', no qual revivia alguns dos personagens criados ao longo da carreira.
Cinema
No cinema, estreou em 1959, em 'Entrei de Gaiato', de J.B. Tanko, ao lado de Zé Trindade, Dercy Gonçalves e Costinha, e atuou em sucessos como 'Tieta do Agreste' (1996), dirigido por Cacá Diegues, onde interpretou o pai da protagonista; e 'Se Eu Fosse Você 2' (2008), de Daniel Filho. Escreveu livros de contos e de humor como 'O Batizado da Vaca' (1972), 'A Curva do Calombo' (1974), 'Teje Preso' (1975) e o romance 'Carapau' (1878). Em 2007, lançou o livro 'É Mentira, Chico?', uma enciclopédia de seus personagens, ilustrados pelos principais cartunistas do país. Muitos de seus 209 tipos podem ser lembrados no DVD 'Chico Especial', lançado em 2008 pela Globo Marcas para comemorar os 40 anos do artista na emissora.
Chico Anysio morreu em 23 de março de 2012.