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Cinderella

Pode parecer surpreendente, mas a nova adaptação deste clássico infantil, lançado pela Amazon Prime, é um dos grandes filmes de empreendedorismo de 2021. A história adaptada do conto traz a figura de Cinderella como uma mulher empreendedora, que sonha em construir sua própria linha de vestidos, desenhando e costurando sozinha em seu pequeno quarto de empregada. Esta nova gravação aborda temas como confiança no próprio trabalho e a coragem de perseguir seus sonhos, mesmo que isso signifique abdicar de um príncipe encantado. - Para assistir o trailer e testar os seus conhecimentos sobre os lugares citados neste filme clique no botão. Divirta-se. Compartilhe com os amigos.




Ella (Lilly James) ganha o apelido de Cinderela após a trágica morte de seu pai, sendo obrigada a trabalhar como empregada na própria casa para sua terrível madrasta, Lady Tremaine (Cate Blanchett), e suas filhas Anastasia e Drisella. Apesar disso, seu otimismo com a vida continua intacto. Passeando na floresta, ela se encanta por um corajoso estranho (Richard Madden), sem desconfiar que ele é o príncipe do castelo. Cinderela recebe um convite para o grande baile e acredita que pode voltar a encontrar sua alma gêmea, mas seus planos vão por água abaixo quando a madrasta má rasga seu vestido. Agora, será preciso uma fada madrinha (Helena Bonham Carter) para mudar o seu destino.


Nas últimas décadas, grandes estúdios de animação como a Dreamworks e a Pixar se especializaram em tratar a imagem animada com o máximo de realismo possível. Os cabelos do príncipe de Shrek balançavam ao vento como cabelos de verdade; os cachorros, robôs e brinquedos da Pixar eram mais complexos do que muitos personagens de carne e osso. Agora, a Disney começa a efetuar o movimento contrário: levar o estilo mágico da animação à filmagem com atores.


Malévola, estrelado por Angelina Jolie, tinha surpreendido não apenas pelo novo ângulo fornecido à fábula da Bela Adormecida – contada pelo ponto de vista da vilã – mas também pelo verdadeiro festival de efeitos especiais que tornavam a superprodução mais próxima das histórias de super-heróis do que dos contos de fada. Depois dos excessos, a Disney aposta na simplicidade para refilmar a história de Cinderela.


O filme de Kenneth Branagh é uma ótima surpresa. Por não apresentar nenhuma mudança fundamental em relação à trama conhecida, esperava-se apenas um filme-cópia, algo incapaz de conquistar os fãs satisfeitos com a animação original. Mas Cinderela funciona como uma homenagem à animação original, cujo estilo e humor fantásticos impregnam esta história em live action.


Os atores atuam um grau acima do realismo. Cate Blanchett está excelente no papel da madrasta malvada, divertindo-se com os trejeitos demoníacos e os olhares fulminantes da personagem. Helena Bonham Carter é outra escolha acertada para a Fada Madrinha, e está melhor ainda como narradora da história: o desempenho vocal da atriz é tão impressionante que nos faz questionar o porquê de premiações como o Oscar não recompensarem dubladores e narradores. Mesmo as irmãs malvadas de Cinderela nada mais são do que caricaturas de pessoas comuns, exageradas pelos figurinos e cenários.


Dessa vez, nada de efeitos especiais ostensivos, como ocorria com as fadas estranhas de Malévola, ou os coadjuvantes bizarros de Alice no País das Maravilhas. A matriz de Cinderela é essencialmente dramática, e é saudável ver um filme para crianças com ritmo calmo, linear como o filme original, criando diversas cenas sem recorrer à tela verde. Os momentos de efeitos especiais – principalmente a transformação da abóbora em carruagem e o retorno à vida comum pós-baile – são espetaculares justamente por surgirem após longos momentos de filmagem tradicional. Brannagh sabe dosar muito bem a fantasia teatral com a fantasia computadorizada.


A moral da história ainda é ingênua, didática, e repetida dezenas de vezes pela protagonista (Lily James): tenha coragem, e seja gentil. Por trás deste lema, entretanto, existe outra mensagem questionável, destinada às garotas pequenas: seja submissa e inferior, e talvez um homem belo e rico se interesse por você. É uma pena que a Disney não tenha atualizado esse subtexto conservador, já que conseguiram criar personagens femininas mais complexas em Frozen – Uma Aventura Congelante, por exemplo.

Mas Cinderela mantém a visão romântica do mundo, como nos filmes de antigamente. Com poucas cenas de ação, ritmo enxuto e humor comedido, esta não é uma obra feita para a juventude tecnológica. Talvez por isso mesmo consiga ser atemporal, universal – não é à toa que o público adulto do festival de Berlim aplaudiu com tanto entusiasmo o novo filme da Disney. Embora não seja inovador – e nem tenha essa pretensão, diga-se de passagem – Cinderela comprova que uma história simples pode funcionar sem pirotecnia, apostando apenas na nostalgia relacionada ao tom e à trama de uma animação clássica.



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